Tendo surgido em 2008, o Programa ViraVida foi idealizado pelo Conselho Nacional do SESI como um projeto de educação e inserção produtiva de adolescentes e jovens em situação de Vulnerabilidade Social.

Até 2015, o Programa tinha como recorte o perfil da exploração sexual. No entanto, na intenção de atingir o status de Tecnologia Social, alcançando um maior número de adolescentes e jovens e se estabelecer como Política Pública, a partir de 2016, o ViraVida amplia seu perfil para outros contextos de vulnerabilidade e violação de direitos, tais como: trabalho infantil, situações diversas de violência, medida socioeducativa, jovens em vias de cooptação pelo tráfico de drogas, vínculos familiares fragilizados ou rompidos, entre outras.

O ViraVida conta com Equipe Multidisciplinar, composta por Assistente Social, Psicóloga, Técnico de Empregabilidade, Pedagoga e 03 Professores (Língua Portuguesa, Matemática e Cidadania), além da Coordenadora Estratégica, do Coordenador Operacional e de 01 Assistente Administrativo.

A Equipe Técnica desenvolve um trabalho transdisciplinar, procurando estimular uma nova compreensão da realidade articulando elementos que passam entre, além e através das disciplinas, numa busca de compreensão da complexidade do mundo real, com foco no “Desenvolvimento Humano”, seguindo os pilares da UNESCO que subsidia a Tecnologia Social que são “APRENDER A SER, APRENDER A CONVIVER, APRENDER A CONHECER e APRENDER A FAZER”.

Este olhar múltiplo permite que se abranja a complexidade crescente do mundo pós-moderno. A abordagem transdisciplinar vem modificando a forma como o homem se volta para si mesmo e procura entender seu papel no mundo e também a própria compreensão da interação do universo com o ser humano.

Os jovens participantes do ViraVida, geralmente vivem em condições adversas, em que além de um núcleo familiar frágil, identificam-se outras vulnerabilidades e uma série de violação de direitos. Nas comunidades onde moram, o oferecimento de atendimento às necessidades básicas de educação, saúde, esporte, cultura e lazer ainda é extremamente precário, com prevalência de problemas como analfabetismo, drogas e violência.

A contribuição com a formação desses jovens extrapola a oferta de cursos técnicos ou mesmo um ensino regular de qualidade. O desafio implica na oferta de atendimento psicossocial e atividades que resultem no fortalecimento da autoestima e do autoconhecimento, além do fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários. O trabalho acontece prioritariamente com os jovens, e complementarmente com suas famílias e a comunidade onde vivem.

Com esse propósito foi planejada uma série de ações articuladas para contribuir na formação do humano na sua complexidade, a partir de competências pessoais, relacionais, cognitivas necessárias as competências produtivas.

No Rio de Janeiro, o Programa ViraVida é operacionalizado pela FIRJAN Sesi, alcançando mais de 13 favelas cariocas. Ao todo 543 alunos passaram pelo programa, com taxa de evasão de 16%. No ano de 2017, tivemos o excelente resultado: 100% de jovens inseridos em vagas de Aprendizagem. Em 2018, antes do término do programa, já tínhamos 30% de jovens inseridos no Mercado de Trabalho e articulações em andamento para inserção dos demais.

A tecnologia social implementada no Programa ViraVida tem seu sucesso comprovado através dos resultados em nível nacional. A pesquisa de impacto realizada em 2012, mostrou que para cada 1 real investido no Programa, entre 2008 e 2011, houve retorno de R$1,46 para a sociedade. Observou-se também um impacto nos níveis de equidade para valores sociais relacionados à empregabilidade, autoconfiança e a vínculos familiares e comunitários. No mercado de trabalho foram 1,5 mil jovens inseridos em todos os estados que desenvolvem o Programa.

    Em 2014, ONU, SESI e o Governo Brasileiro também assinaram acordo de cooperação com o intuito de facilitar a transferência da tecnologia social do ViraVida a outros países. A iniciativa foi premiada pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) e recebeu o selo da ONU.